segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Operador de Telemarketing



Quando se fala: Operador de Telemarketing o que você imagina? Pra maioria essa profissão significa estresse, dor de cabeça e uma vontade enorme de ferrar o cliente. Quem nunca entrou em contato com alguma prestadora de serviços bancários ou telefonia e não xingou, o atendente pela demora,por causa das transferências, das famosas musiquinhas e das vezes que liga e é colocado no mudo, enfim são tantas e tantas coisas que nos fazem odiar ligar pra esse povo, mas alguém já se colocou no lugar deles?
Imagine você entrando em um local fechado, um ar condicionado quase te transformando em um picolé humano, ao lado ou um nerd, ou uma senhora de 200 anos que fala cuspindo, um cara que reclama da vida o dia inteiro (que é a maioria dos casos) ou um puxa saco que está atento a todas as ligações só pra tentar te ferrar a qualquer vírgula mal pronunciada em seu atendimento. Já havendo esses fatos vem o cliente que com certeza comprou algo que não queria e esta reclamando só pra tentar tirar você do sério e ganhar uma indenização por isso ou aquela senhora que em sua casa não tem móvel algum, só uma mesinha com telefone e um caderninho. Não é fácil mesmo ser um atendente de telemarketing.

Meu primeiro emprego com carteira assinada foi ser Operador de Telemarketing no maior Santuário Mariano do Mundo, a Basílica de Aparecida (só pra constar, não é Aparecida do norte tá), trabalhava diretamente com a Campanha dos Devotos. Não vou mentir, tinha muito preconceito com essa campanha antes de conhecê-la, imaginava que poucas pessoas se beneficiavam com ela e não tinha tanta necessidade de existir. Mas quando se vê diretamente o trabalho realizado, cada pessoa empenhada ao máximo em acolher os visitantes, a estrutura do Santuário (que é fantástica), o carinho que cada devoto e colaborador tem com a obra é fascinante, sem contar as lições que adquirimos, daí tomei amor pela obra, não apenas por ser meu trabalho mas pelo que representa. La fiz muitos amigos mesmo, trabalhei nos dois turnos disponíveis, mas confesso que gostei mais de trabalhar a noite. Agora falando da profissão, é claro que existiam as pessoas que ligavam sem qualquer motivo, as vezes pra falar de política e religião (fato ruim, pois o povo era chato mesmo), hora  ligavam só pra falar “OOOOI SAUDAAADE!?”  (fato que a mesma pessoa ligava de cinco em cinco minutos), outras pra participarem de sorteios reprisados na TV (daí vinha a triste noticia: “Senhor o programa passou de manha!!” e o bonito responde “é eu sei, mas fala pra ele mandar um abraço pra minha família que to vendo agora!”) e muitas outras situações que sempre vão existir. O bom era quando alguma pessoa ligava pra falar de sua vida, conta um breve fato que o fez ligar e lhe agradece por ter ouvido seu desabafo (justo pois é um Call Center de entidade religiosa, não que dávamos conselho, porque não podia), as vezes coisa de cinco minutos e todo seu dia vale a pena.

Gostei muito de ser operador de telemarketing, com isso conquistei muitas amizades e aprendi muito com os devotos, me tornei mais gentil com as pessoas e definitivamente aprendi a ouvir. Por isso que ao ligar para qualquer central de atendimento, por pior que seja o atendente, não custa nada ser amável.

2 comentários:

  1. Muito bom esse texto,muito mesmo! Parabéns... Gostei da história! ;)

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  2. "...GRANDE MAICON, GOSTEI DEMAIS DESSE TEXTO, REALMENTE VC TEM TODA RAZÃO, QDO RELATA FATOS PITORESCOS NESSE TRABALHO Q VC REALIZOU C/ MUITA COMPETÊNCIA E Q P/ MIM É MUITO GRATIFICANTE ESTAR NELE ATÉ HJ, UM FORTE ABRAÇO E SUCESSO AMIGÃO..."

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